sexta-feira, 30 de julho de 2010

O amor é uma companhia



"o amor é uma companhia.
já não sei andar só pelos caminhos, porque já não posso andar só.
um pensamento visível faz-me andar mais depressa.
e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
e eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
todo eu sou qualquer força que me abandona.
toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

Gostei tanto desse texto que decidi compartilhar. Poema de Alberto Caeiro encontrado no post do Seguidores. Todo dia. Blog da querida Bárbara Cariry.

Foto de Nicolau Domingues.

Agora? Os Mutantes. "Ando meio desligado, eu nem sinto os meus pés no chão."

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Clássico para a vida toda


John Hughes marca gerações
"Bueller, Bueller"

Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller’s day off)
EUA/ 1986/ 109 min.
Roteiro e direção: John Hughes
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones, Jennifer Grey, Charlie Sheen, Lyman Ward, Edie McClurg, Kristy Swanson.


Outro dia revi um dos meus filmes preferidos. O longa de 1986, Curtindo a vida adoidado. Esse clássico do cinema “adolescente” marcou a minha vida e, certamente, faz parte de muitas outras histórias pelo mundo afora.

O enredo é simples: Ferris Bueller (Matthew Broderick) é um jovem no seu último ano do colegial que quer aproveitar a vida. Ele é popular e sabe como conseguir tudo o que quer. Em um dia de semana ensolarado, decide matar aula com a sua namorada, Sloane (Mia Sara) e o seu melhor amigo, Cameron (Alan Ruck) para passar um dia se divertindo ao invés de ficar confinado entre as quatro paredes opressoras da sala de aula.

Pronto, é isso. Mas como uma premissa tão simples pôde resultar em um filme tão incrível? Através de uma combinação perfeita de fatores.

Primeiro: o elenco é sensacional. Desde o protagonista até o mais simples coadjuvante, os atores são extremamente competentes. Além disso, a química entre eles é absoluta e coopera para que tudo flua melhor e de maneira convincente.

Outro ponto fundamental é o roteiro que consegue, a partir de uma sinopse simples, elaborar uma história consistente e bem amarrada. Os personagens são bem construídos e despertam a empatia necessária para que o público se identifique. As situações cômicas criadas são bem estruturadas e bem desempenhadas pelos atores.

Além disso, o texto em si é consistente e envolvente. O longa é conduzido
pelo próprio Bueller que, volta e meia, conversa diretamente com o espectador, assim como acontece em muitos dos filmes de Woody Allen como, por exemplo, Tudo pode dar certo. Essa conversa franca e direta entre o protagonista e a platéia ajuda a construir a cumplicidade necessária para que aqueles que acompanham o dia de folga de Ferris se sintam tão livres e capazes de fazer o que quiserem como o próprio adolescente. É como se o público fosse mais um da turma, um confidente.

Nas questões técnicas o longa também se destaca. A edição é dinâmica, consegue manter o ritmo e brinca com alguns conceitos, o que torna algumas cenas interessantes e não tão convencionais. Esse é o caso, por exemplo, da visita do trio ao museu. Quando os personagens aparecem em lugares diferentes através de cortes secos que não justificam a movimentação deles.

A fotografia também merece uma citação a parte. As cores e a composição dos quadros são lindas e se destacam. Não são utilizados apenas planos e contra-planos, por exemplo, como muitas comédias costumam fazer, exploram-se também ângulos mais trabalhados.

Por fim há ainda o efeito identificação. Todas as pessoas querem se livrar da rotina, ainda que por um dia, para fazer algo de que realmente gostem, que dê prazer ao invés de apenas se preocupar com as contas, notas, enfim, com as obrigações. Afinal, a vida eventualmente chega ao fim e o que se leva? Curtindo a vida adoidado faz com que o espectador sinta que é possível fazer uma “loucura” dessa de vez em quando.

Nesse caso, o filme apresenta dois lados da mesma moeda: Ferris é o descolado que sempre consegue realizar as coisas do seu jeito. Ele tem charme, é corajoso, é esperto e parece ter sempre a sorte ao seu lado. Cameron é um jovem completamente neurótico e perturbado. Constantemente ameaçado pelo medo que sente do seu pai opressor. Ele é o contrário do seu melhor amigo, não costuma se permitir fazer loucuras, pois está sempre preocupado com as conseqüências. Já Sloane é uma compilação dos dois, o meio termo. É a sonhadora com os pés no chão. E o espectador é tudo isso: é vontade de fazer as coisas do seu jeito, é medo e apreensão, é sonho e realidade. Acredito que essa combinação de fatores faz com que o filme consiga tocar pessoas das mais variadas personalidades e estilos.

O filme é ainda a celebração do encerramento de um ciclo. Nesse caso, o término do colegial, o início de uma vida nova que trará diversas mudanças. É uma despedida feliz e a preparação para o resto da vida. Passamos por muitas transformações, inícions e finalizações de ciclos que esse filme pode representar.

A edição especial do DVD presenteia o espectador com uma série de entrevistas com o elenco. São extras simples, nada de extraordinário, mas há vários depoimentos interessantes sobre a produção que revelam curiosidades e informações importantes. Fica a dica.

PS) Ainda tem a cereja do bolo: uma das melhores cenas de todos os tempos: Bueller cantando Beatles na passeata repleta de pessoas. "Save Farris!"

É sempre bom revisitar os clássicos. Ah, vontade de ver novamente De volta para o futuro, Os Goonies, Karatê Kid (original) e tantos outros.

Agora? Chet Baker.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os anões

Outro dia estive dando uma olhada em alguns blogs e vi um post no Passarim sobre o livro Os anões de Verônica Stigger. Gostei do post e já me interessei pelo livro. Confesso que não conheço a autora, mas depois de ler alguns contos dela pretendo mudar essa realidade.

A questão é que li aqui o conto que dá título ao livro e me encantei. Trata-se de um texto forte e até mesmo desconcertante, mas que desperta questionamentos pertinentes e necessários. Duros, mas que precisam ser avaliados. Compartilho então:

Os anões

Ele tinha a altura de um pigmeu, e ela batia na cintura dele. Os dois eram tão pequenos que mal alcançavam o alto da bancada dos doces. Ela dava saltinhos para tentar ver o que a confeitaria tinha de bom. Ele, mais circunspecto, espichava o pescoço, apontava o nariz para cima e aspirava fundo como se pudesse, pelo olfato, identificar as guloseimas que o olhar não divisava. Os dois até que faziam um conjunto bonitinho. Não eram deformados, nem tinham aquele aspecto doentio característico de alguns anões. Pareciam tão-somente ter sido projetados em escala reduzida. Poderíamos sentir compaixão ou mesmo simpatia por eles, se não fossem tão evidentes suas graves falhas de caráter.

Não era a primeira vez que os víamos, e pior não era a primeira vez que os víamos tentando furar a fila. O casal se aproveitava da baixa estatura para, sem-vergonhamente, passar na frente das outras pessoas que esperavam por atendimento. Foi assim, outro dia, na farmácia. Os dois entraram no estabelecimento e foram direto para a boca do balcão, ignorando todos os que aguardavam pacientemente. Só não brigamos com eles porque não foi preciso. O balconista, desatento como sempre, não os percebeu e bem feito! Nos atendeu primeiro.

Contudo, naquele outro dia, na confeitaria, a balconista não só os viu como, solícita como de costume, ofereceu um banquinho para que eles pudessem subir e enxergar os doces por cima da bancada. E não é que os petulantes aceitaram a gentileza dela e ainda tiveram o desplante de ficar indagando de que era feito cada um dos infindáveis docinhos? Nós, que até então aguentávamos quietos o comportamento acintoso daqueles dois, começamos a reclamar. Vai demorar muito?, gritei do final da fila. Nós não temos o dia todo para ficar esperando, meu marido acrescentou. E eles nem pestanejavam. Continuavam em cima do banquinho a perguntar sobre os doces e a pedir provinhas. Não deu um minuto e a senhora que estava na nossa frente berrou também: é pra hoje? Seu Aristides, que levava a neta pequena pela mão e se achava logo depois dos anões, ajuntou: escolham logo, seus imbecis! A mulher de cerca de 30 anos, que estava atrás de nós, arrematou: é, andem logo, seus moloides! Mas o casal, nem-te-ligo. Ele se lambuzava de provinhas de doces, e ela ainda limpava a meleca açucarada que se depositara nos cantos de sua boca minúscula com um guardanapo xadrez todo dobradinho.

A senhora à nossa frente comentou comigo que cruzara com o casalzinho outro dia no supermercado. Eles estavam com mais de 20 produtos nas mãos, e nas mãos mesmo, me disse ela, porque eles não usavam carrinho ou cesto. Acho que eles não alcançam nos carrinhos, e os cestos arrastariam no chão, supôs, pensativa, quase condescendente. Mas, exclamou em seguida, queriam passar pelo caixa para até dez itens! A moça do caixa ficou meio sem jeito de dizer para os dois que eles não podiam estar ali e começou a registrar os produtos, continuou a senhora, mas uma mulher grávida que estava na fila se enfureceu e chamou o gerente. E eles ficaram bem assim, sem falar nada, fez ela apontando para os dois com a cabeça. Eles são bem estranhos, né?

E lá estavam eles, mudos novamente. Seu Aristides, impaciente, elevou a voz: andem logo, seus merdas! É, acrescentou a senhora, vamos logo! E eu emendei: vocês deviam respeitar os mais velhos, pelo menos! Foi aí que a pequeninha se virou e me olhou. A boca minúscula ainda estava suja de doce. Ela piscou, passeou a língua pelos lábios e continuou a me olhar por cima do ombro, como se, até então, não tivesse percebido que estávamos todos ali, esperando. Que foi?, perguntei a ela. Tá olhando o quê?, falei ainda. E ela só piscava, impávida. Qual é a tua?, continuei, indo até ela. É, qual é a tua?, repetiu seu Aristides. Nisso, cheguei bem junto da biscazinha e a puxei com força pelo braço. Sua idiota!, disse. Ela estava em cima do banquinho. Com a minha puxada, desequilibrou-se e caiu no chão, de cabeça. Meu marido, que vinha logo atrás de mim, deu um empurrão no homenzinho, que parecia querer socorrer a esposa. Ele também se desequilibrou e caiu do banquinho. Ao se levantar, fez menção de revidar, e meu marido acertou-lhe um joelhaço no meio do rosto. O narizinho começou a sangrar. Seu Aristides veio correndo e deu outro joelhaço no rosto daquele tipinho, enquanto a neta de seu Aristides chutava-lhe a canela. O sujeitinho caiu no chão de novo, ao lado da mulher. A senhora que estava na fila passou a dar bengaladas nas cabeças e nas costas do casalzinho. Eu chutava, com muita vontade, a barriga da mulherzinha caída. Minha perna doía, mas eu continuava a chutar, sempre no mesmo ponto. A mulher de cerca de 30 anos se ajoelhou ao lado do casalzinho, pegou o homenzinho pelo pescoço e começou a bater com a cabeça dele no chão, várias vezes, até abrir uma fenda na parte de trás. Uma gosma espessa verde-amarronzada saía de dentro de sua cabeça e melava o chão. Nesse meio tempo, a senhora que estava na fila se concentrou apenas na mulherzinha: ela levantava a bengala e a baixava com força em seu rosto ensanguentado. Meu marido pulava em cima das pernas do homenzinho, enquanto seu Aristides chutava seu tronco. E a neta de seu Aristides, imitando meu marido, pulava sobre a barriga da mulherzinha.

A balconista, que até então estava quieta acho que em respeito a nós, que éramos clientes assíduos da confeitaria, interveio. Gente, disse ela, dá para parar com isso que a dona Sílvia vem chegando, estou vendo ela dobrar a esquina. Eu já estava cansada mesmo e parei de chutar o que já se tornara uma massa quase informe, vermelha. Arfando, fui lentamente me dirigindo à saída. Ao me ver sair meio cambaleante, meu marido também parou de pular e veio atrás de mim. A mulher de 30 anos, com a respiração também alterada pelo esforço, se sentou encostada à parede e pôs na testa as duas mãos com as quais batera com a cabeça do sujeitinho contra o chão. Ele estava transformado numa espécie de pasta de carne e sangue, com pequenos fragmentos de ossos desarranjando a uniformidade da mistura. A aparência de sua mulherzinha não era muito diversa. A senhora ainda deu uma última bengalada no que tinha sido um rosto, ajeitou o vestido, se apoiou na bengala e saiu. Seu Aristides, exausto de tanto chutar o homenzinho, parou e fez sua neta também parar. Vamos, querida, deixa isso aí e vamos embora, disse ele para a neta, enquanto a pegava pela mão. Já do outro lado da calçada, olhei para trás para cumprimentar dona Sílvia, que entrava na confeitaria, e vi a balconista, com um grande rodo, empurrando para um canto toda aquela sujeira."

Veronica Stigger é escritora, professora universitária e crítica de arte. Os Anões é o seu terceiro livro de ficção.

Para ler outros contos da autora, aqui.

Agora? Mombojó.

Imagem dos doces.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ver e experimentar cinema


Hoje me deparei com esse texto de Bruno Yutaka no seu Ilustrada no Cinema e decidi compartilhar.

Sobre o cinema. Sobre ver e experimentar cinema:

"Onde não há cinema

O leitor Marcelo Henrique é fascinado por cinema. Ele mora em Ribeirão Preto, SP, e recentemente enviou um e-mail para este blog contando como é difícil assistir a bons filmes morando numa cidade onde não há salas de cinema alternativo. Ele questiona: como manter o hábito [de assistir a bons filmes]?

Em São Paulo, capital, tudo é mais fácil, claro. Além do circuito normal, há, todos os dias uma boa mostra alternativa em cartaz. Amanhã, por exemplo, é a vez de “Dogma 95 - 15 Anos Depois”, na Cinemateca Brasileira.

No entanto, tudo é relativo. Sempre haverá alguém insatisfeito. Volta e meia ouço alguém aqui na cidade reclamar: “Nesta semana não tem nenhum filme legal em cartaz”. Ou então: “Só estreia coisa ruim aqui”. É desaforo para leitores como o Marcelo.

Comportamento natural do ser humano. Quando se entra em comparações, surgem frustrações. A programação de SP é boa comparada com a de Paris? E se for comparada com as cidades do interior do Brasil?
As coisas são menos drásticas desde pelo menos as invenções da televisão, do VHS, do DVD e da internet. Scorsese deve boa parte de seu conhecimento a noites sem dormir em que assistia a grandes clássicos que passavam na TV.

O modo tradicional (ultrapassado?) de se ver cinema é uma experiência que depende, sim, do local onde se vive. Se antes ver filmes solitariamente era uma opção, hoje é a única alternativa em muitos lugares.

Retornei semana passada de férias. Passei em dois extremos: Lins (SP), cidade com 73.183 habitantes, e Paris (França).

Numa das últimas vezes em que fui a Lins, havia um único cinema, anexo de um grande supermercado. Passava “A Paixão de Cristo”. Desta vez, não havia mais cinema. Meus tios me contam que não havia público, que o ingresso era muito caro. Os que gostam de cinema preferem alugar DVDs. No final das contas, é a grande crise do cinema mundo afora.

Soa saudosista falar assim, mas vale lembrar que cinema não é apenas o filme que está na tela. É o filme da vida real que já começa quando você se arruma em casa para ir à sala de projeção. É o burburinho na fila. É encontrar aqueles amigos que você não vê há tempos, oportunidade para colocar a conversa em dia. É a troca de ideias após a projeção. É o sentimento de pertencer a algo coletivo, quando se ouve as pessoas rindo ou lágrimas contidas da pessoa ao lado. É quando você, mesmo morando numa cidade grande, sente-se parte de uma vila.

Por mais que eu tenha me bodeado de ter perdido a sessão das 7 de “Vincere” no Cinesesc, no último sábado _era uma fila quilométrica, como eu não via há tempos_, não me incomodo. A vontade de fazer parte de algo coletivo é algo que compartilho com as pessoas que estavam nessa fila.

Paris é o oposto de Lins, sabemos. Em cada esquina, há uma sala de cinema. A existência de sala em uma cidade, diversidade na programação etc. é apenas uma grande metonímia. Sem preconceitos. Mas diz muito sobre a economia de uma região.

Ver filmes sozinho no computador é como viajar sozinho. É melhor do que não ir, mas depois de um tempo, a experiência fica meio vazia."

Agora? Vanessa da Mata.

Imagem do filme Cinema Paradiso. Para quem ainda não viu, fica a dica.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Caçada na floresta


Predadores
Robert Rodriguez retoma sucesso dos anos 80

Predadores (Predators)
EUA/ 2010/ 107 minutos
Direção: Nimród Antal
Roteiro: Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas, John Thomas
Elenco: Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Oleg Taktarov, Walton Goggins, Louis Ozawa Changchien, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Mahershalalhashbaz Ali

A verdade é que não sou fã dos filmes com o Predador. Não vi o primeiro, de 1987, com Arnold Schwarzenegger, nem o segundo, de 1990, com Danny Glover e, muito menos, Alien Vs. Predador (2004), mas ao acompanhar as notícias sobre a retomada da série com o novo Predadores confesso que o meu interesse foi, enfim, despertado.

Só o fato de um filme desse estilo trazer o oscarizado Adrien Brody como protagonista já era o suficiente para fazer com que eu realmente quisesse dedicar cerca de duas horas da minha vida para conferir o resultado, afinal, é inusitada – e interessante – a escolha de trazer um grande ator como ele para realizar um filme de ação. Além disso, o nome de Robert Rodriguez na produção também me convenceu.

Predadores se passa antes dos demais filmes da série. Aqui, um grupo heterogêneo de humanos especializados em matar é selecionados para um jogo, aliás, para uma caçada. Mas, nesse caso, eles são a caça e os verdadeiros caçadores e líderes do jogo são os predadores que se divertem através dessa perseguição desleal em uma floresta desconhecida pelos humanos e que apresenta características peculiares.

A proposta de retomar a série a partir de um novo ponto foi bem bolada e a sinopse prometia um retorno interessante cheio de emoção. Mas, infelizmente, a promessa não se cumpre e o filme se perde em um roteiro muito mal elaborado constituído pelas piores falas de todos os tempos – Ok, talvez não de todos os tempos, mas o páreo é duro.

Os atores se esforçam, mas é difícil constituir um personagem consistente quando não há nenhuma profundidade. Aquilo que é apresentado nos primeiros minutos de filme é mantido – com raríssimas e mínimas exceções – no decorrer da projeção. O elenco consegue se manter dentro das suas possibilidades, em especial Brody e Alice Braga, mas na verdade não há nada que se possa fazer.

Em compensação, as criaturas continuam interessantes – tanto os próprios predadores como as poucas outras que participam do filme. A presença de Brody também acrescenta ao longa, especialmente por não se tratar de um homem não tão grande. Certo. Bem menor do que os astros de ação como o próprio Schwarzenegger. Essa sua particularidade torna tudo mais interessante.

A história se trata basicamente de uma perseguição de gato e rato sem nenhuma profundidade. O que poderia não ser um problema, mas além disso, o óbvio é verbalizado a todo momento, o que deveria ter sido resolvido através de imagens ou, pelo menos, de diálogos consistentes e interessantes que conseguissem acrescentar algo à narrativa, ao invés de dizer apenas o que já se sabe através de frases de efeito tão rasas quanto um pires – ou ainda mais rasas.

Um ponto alto é o fato de o filme não exagerar nos efeitos especiais, mas nesse mesmo quesito o longa perde alguns pontos uma vez que uma parte dos poucos efeitos utilizados não impressionam e estão aquém do que se vê hoje em dia. Por exemplo: atenção ao momento em que o grupo percebe que a floresta em questão é mais do que uma simples floresta.

Apesar dos grandes furos e da tendência à comédia, o filme deve agradar aos fãs da série que, inclusive, podem se animar ainda mais porque a seqüência já foi confirmada.

Quanto a mim, confesso, vou conferir os dois primeiros filmes da série.

Agora? Norah Jones.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Da tal felicidade clandestina



Pequeno prazer: sentar à tarde em um café com um pequena fatia de torta (pequena mesmo porque, né!?), um café quentinho e um livro. Apenas você. Alguns minutos assim proporcionam bons momentos. Isso é que é felicidade.

Outro dia encontrei essa imagem aqui, por acaso, e gostei do humor.

Agora? Feist.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Despedida digna


Crise existencial no reino de Tão Tão Distante

Shrek para sempre (Shrek Forever After)
EUA/ 2010/ 93 min.
Direção: Mike Mitchell
Roteiro: Josh Klausner, Darren Lemke
Elenco: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Jon Hamm, Jane Lynch,

A franquia Shrek chega – supostamente - ao fim com o quarto filme da série, Shrek para sempre. Após altos e baixos o conhecido ogro verde chega à meia idade com uma forte crise.

Desde o primeiro longa, de 2001, a realidade de Shrek mudou muito. Ele passou de ogro solitário, livre e assustador para um pai de família casado com três filhos pequenos. Além disso, ele agora é mais uma atração turística do que um monstro capaz de assustar humanos. Diante desse novo quadro ele se vê podado e impedido de desfrutar de momentos seus. Sua vida não tem mais sossego e os dias se apresentam como uma rotina sem fim. Tudo isso o afeta de uma maneira que o faz perceber que ele precisa de uma folga. Ele precisa da sua liberdade de volta.

É em um momento extremo que ele encontra duende Rumpelstiltskin que oferece 24 horas da tão sonhada liberdade em troca de um único dia da vida do ogro. O negócio é selado, mas o que Shrek não imagina é que Rumpelstiltskin tem outros planos e, como consequência desse trato, a realidade do ogro pode ser alterada em definitivo para uma na qual ele não teria salvado a princesa Fiona.

O capítulo final da franquia se apresenta em moldes clássicos, com uma história já conhecida e capricha ainda na carga dramática, mas sem esquecer o humor. Essa proposta consegue revitalizar os personagens já conhecidos do público como o Gato de Botas e a própria Fiona, por exemplo, que podem ser vistos sob um novo prisma. Essa perspectiva trás um sopro fresco a série.

Esse também se trata do primeiro Shrek realizado diretamente em 3D, mas aqui a tecnologia é aliada à história. Ou seja, foi usada e deve agradar ao público, mas não foi utilizada de maneira exagerada, portanto não espere uma sucessão sem fim de objetos pulando da tela.

Apesar da trama mais adulta, o filme ainda agrada ao público infantil pelos efeitos, personagens, pelas cores e também pelo já conhecido universo da franquia.

Em um balanço final o ogro se despede em sua "última" aventura com dignidade.

PS) Mas em breve estréia o longa do Gato de Botas. Para saber mais acompanhe o site do filme ou ainda leia essa nota do Omelete.

Agora? Etta James.

Cinema em postais


O cinema é uma experiência coletiva e, ao mesmo tempo, particular. Uma platéia se senta diante de uma tela que reproduz as imagens recebidas por um projetor e então todas as pessoas estão conectadas naquele mesmo momento sob as mesmas condições. A sala escura abriga diversos indivíduos dos mais variados estilos e das mais distintas personalidades, mas que estão juntos, durante um determinado espaço de tempo, para assistir a um filme.

Paralelamente a essa experiência coletiva, a obra fílmica afeta cada espectador de maneira diferente. O resultado do que se vê depende da bagagem cultural, disposição, estado de espírito, gostos, preferências, humor e tantas outras questões pessoais. O filme se reflete então em uma experiência subjetiva e pessoal.

Sendo também uma arte expressiva que consegue alcançar diversas camadas da sociedade através do globo, esse carinho, admiração ou mesmo preocupação social cinematográfica acaba gerando representações, homenagens e/ou releituras através de outras manifestações artísticas.

Eu já havia veiculado aqui, por exemplo, a representação do cinema através do grafite. Agora, venho repassar uma informação obtida através do blog da Folha, Ilustrada no Cinema, onde vi a representação cinematográfica através de cartões postais.

O site Postcards to Alphaville apresenta o trabalho de artistas gráficos que produzem cartões postais baseados em filmes e/ou personagens de cinema. O resultado é um cartão pessoal que presta uma homenagem à sétima arte.

Do site (em tradução livre):

“Todas as pessoas que participam dessa aventura têm que assistir a um filme e fazer um cartão postal retratando um personagem específico desse filme. Trata-se de uma carta de amor aos filmes e àqueles personagens que trazem proporcionam a nós, espectadores, momentos de alegria, tristeza e revelação e que, às vezes, parecem mais reais do que o vizinho.” (Fundador e editor, Paul Paper).





















































































































Agora? Ainda Juanes.

Habita, mas não é


A minha relação com Clarice Lispector não é muito profunda. Aliás, nem pode ser considerada uma relação já que, entes de A Hora da Estrela, eu só havia lido uma compilação de contos da autora, Felicidade Clandestina.

Pois bem, acabei de ler A Hora da Estrela. A história já era conhecida minha através das aulas de literatura e também de um quadro de Regina Case no Fantástico. Para falar a verdade não lembro bem qual era o quadro nem quando foi exibido, mas lembro de ter gostado do resultado.

O livro conta a história de Macabéia, uma nordestina que vive no Rio de Janeiro e que durante a sua passagem pela vida, habita, mas não é. Ela passa por diversos problemas, dificuldades e sofrimentos, mas não chega a se conhecer verdadeiramente. Não entende muito bem o que se passa ao seu redor e é como se não se desse ao direito de verdadeiramente usufruir ou mesmo de se entregar a algo. Macabéia não se permite e passa pelos dias através de momentos permeados por pequenas liberdades como admirar o capim ou ir ao cinema uma vez ao mês.

O enredo é apresentado por um narrador masculino que precisa desabafar o que se passa com sua personagem. O narrador conversa diretamente com o leitor e, durante a narrativa, confessa as suas dificuldades, fala sobre seus anseios e até mesmo discorre um pouco sobre si. Para mim isso se mostrou um tanto repetitivo uma vez que volta e meia ele ressalta a necessidade que tem de se livrar dessa história, sua angústia e a sua dificuldade em verbalizar o que precisa dizer. Fica ainda mais cansativo se o tamanho do livro for levado em consideração.

Apesar dessa repetição acabei me interessando e me envolvendo com Macabéia. Por quê ela não se deixa viver mais? Essa foi a questão que me acompanhou. Gosto da característica dela de prestar atenção ao detalhe, mas aqui esse detalhe reflete o insignificante, aquilo que não interessa a mais ninguém, assim como a personagem não desperta o interesse das pessoas.

Normalmente não tolero personagens assim, extremamente sofridas e absolutamente conformadas com o que lhes acontece. Como não consigo me identificar, acabado detestando-as, mas nesse caso até consegui sentir certo carinho por Macabéia. Talvez pela esperança iminente que alguns pequenos momentos despertavam.

Não sei quando será o meu próximo encontro com Clarice Lispector, mas veremos no que dará.

Após três livros (O Encontro Marcado, Caim e A hora da estrela) um tanto “pesados” ou tristes, enfim, comecei hoje Sob o sol da Toscana, livro que deu origem ao filme que adoro. Um lindo presente que recebi essa semana.

Agora? Emiliana Torrini (sempre). Seguida de Juanes.

terça-feira, 20 de julho de 2010

De volta às raízes


Tudo pode dar certo
Woody Allen volta às origens na forma e no conteúdo – mas não perde o humor


Tudo pode dar certo (Whatever Works)
EUA/ 2009/ 93 min.
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley, Conleth Hill, Michael McKean, Henry Cavill, Jessica Hecht, John Gallagher, Carolyn McCormick, Christopher Evan Welch

Tudo pode dar certo
não se encaixa muito bem na fase européia do seu criador. Na verdade, retrata um retorno do cineasta às suas histórias ambientadas em Nova Iorque. Depois de longas como Match Point e Vicky Christina Barcelona, por exemplo, que se passam na Inglaterra e na Espanha respectivamente, Woody retorna para um breve momento em Nova Iorque onde realiza uma comédia simples e rápida, mas que funciona. Especialmente por conseguir conservar o bom – e ácido – humor.

Na trama, Borris (Larry David) é um homem intelectualmente superior à maioria dos mortais (e que, como o personagem costuma lembrar, foi quase indicado ao prêmio Nobel de física) e hipocondríaco (ao extremo), além de duramente sincero que, por acaso, conhece uma jovem (Evan Rachel Wood) com quem, apesar de relutar, irá se relacionar.

O Borris de Larry David não é dotado da fragilidade dos protagonistas interpretados por Woody Allen. Sendo assim, a empatia do espectador diminui e a dureza do personagem fica mais evidente, mas talvez essa característica tenha ajudado a diferenciar um pouco mais esse trabalho dos demais.

A história lembra a narrativa de Manhattan , onde um homem mais velho e intelectualmente superior se relaciona com uma adolescente, embora Tudo pode dar certo penda mais para a comédia do que o filme de 1979, mas muitos elementos trabalhados na vasta cinematografia de mais de 40 longas do diretor, são retomados aqui. São exemplos disso o já citado protagonista intelectual e hipocondríaco, além das relações amorosas e familiares. Tudo salpicado com muita ironia e humor.

Na forma, Woody apresenta longos planos seqüência tão utilizados nos seus filmes anteriores, além de diálogos filmados durante longas caminhadas. A quebra da quarta parede, quando o personagem se dirige ao público falando diretamente com ele, também é retomada nesse filme e Borris interage com o público durante toda a projeção narrando os fatos, fazendo perguntas e incentivando reflexões.

De acordo com Rodrigo Carreiro em seu Cine Repórter, esse roteiro foi escrito nos anos 70 e esteve encostado desde então até que o diretor decidiu filma-lo. Se analisarmos por esse prisma fica ainda mais fácil entender porque essa história parece estar fora do contexto atual do diretor.

Apesar da aura saudosista o filme consegue se segurar e garante boas risadas.

Agora? Manu Chao.

Do que se lê


Então acabei de ler Caim (José Saramago). Interessante, mas se eu conhecesse bem as histórias da bíblia teria sido mais proveitoso.

O livro apresenta versões alternativas de histórias bíblicas questionando os métodos e as ações de Deus, além de mostrar o Criador sob um novo prisma. A história segue a narrativa já consagrada do autor e tem Caim como personagem principal que, através dos tempos, acompanha marcos históricos bíblicos.

Iniciado hoje: A Hora da estrela (Clarice Lispector)

Agora? Regina Spektor.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dos dias que passam



Lendo Caim (José Saramago) e vendo muitos filmes. Meta: escrever sobre os filmes vistos.

Mas, por enquanto, fica a dica para uma sessão no cinema: À Prova de Morte de Quentin Tarantino.

Tirinha de Um sábado qualquer.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Da liberdade



Imagem do Stuff noone told me, seguida de uma entrevista do cartunista responsável por esse site, Alex Noriega:

"Transcript of ”Behind Every Line: Alex Noriega:

A picture on a tumblr feed was all I needed, then I got hooked. ”Stuff No One Told Me” is a webcomic about the world, everything that is difficult, everything that is wonderful. And most of all ”Stuff No One Told Me” is small simple wisdoms from everyday life combined with wonderful drawings. Alex Noriega is the man behind this comic and I decided to interview him about his intreats in comics and how he see upon the future of his new webcomic


Tell the readers a bit about yourself


I´m Alex Noriega, a 29 years old illustrator from Barcelona. I like to call myself an illustrator, but in reality I´m many things: I´m a rock, I´m an island. Kidding!

For the last 8 years I´ve been working in the fashion industry designing T-shirts and I hate it with all my soul. I hope all fashion brands burn in hell except ”Sirena Con Jersey”, they can stay. I´m still single and I think it´s because I hate the idea of having to agree with someone else but me in all my decisions. It´s already hard to convince myself to move my ass.My english grammar and spelling skills are very limited, but considering english is my 3rd language I´m doing pretty good. I´m socially handicapped.

How did your interest for comics start?

My grandfather was a landscape painter in his free time and he used to take me out with him when I was 4 to draw. I still remember him sketching on his pad. I could look at him draw for hours, although I was just 4, I still remember it very clearly. Then, the first comics that I remember were among others the weekly satirical magazines ”el jueves”, a spanish magazine that my parents used to read (I still love it).

As you can see I´ve been drawing pretty much always. I remember being 10 and already wondering if I should draw comics or paint. I already knew Picasso, Miró and a few more painters that I really liked. I can´t remember wanting to be anything else in my life. Well, for a short period I wanted to play chess. But it faded away pretty fast.

Do you have any favorite comics?

Lots! In print I´m reading a lot of ”the far side” by Gary Larson lately (you gotta love his sense of humor), I also like Sascha Hommer a lot, he published a couple graphic novels and both are wonderful. Adrian Tomine, Jason… LOTS. Regarding webcomics, I´m not an expert, I´ve started to follow a few just lately, but there great talents out there. I read ”Mythfits”, ”Cyanide and Happiness”, ”Alberto Montt”, ”Bellen by Box Brown”, ”Cat and Girl”, ”Thingpart”

How did you get the idea for ”Stuff No One Told Me”
I´ve been thinking about making a daily comic for some time, and when the idea of SNOTM came to me I simply pushed myself into doing it. The concept is very easy and it isn´t anything new, but I guess it´s fun to do and easy to think about in a daily basis for me.

In a short period of time lots and lots of people have start to read your comic. What’s your view on the response you have gotten from the community, has it effected you in any way?

I have around 10.000 RSS subscribers,It´s been crazy so far. I never expected such a great response, especially not so fast! I´ve just been doing the comic for a couple months and I get emails everyday from people telling me that they love it, and that it touched them somehow. This hasn´t really changed my day to day life (yet)… but I´m hoping this great response will lead to a change where I can some how live just drawing comics and making books. That´d be great.

What comes first when you make your comics, the wisdoms or the illustration?

It´s usually first the text. I try to come up with something relevant for me at that time, I try to be honest with my self and talk about things that matter or I find very funny. So, first I think of a phrase then I picture it in my mind. SInce I´m not working with a closed set of characters or anything like that, I can work very freely and wander around anything that I find interesting… I try to make sure that it´s relevant to me, though. I don´t like to speak with no particular reason.

Do you have any favorite of your published comics?

Hmmmm, that´s hard. I would say my favorite so far is ”you can´t get rid of your fears but you can learn to live with them”… I like how it came out.

Whats the future like for ”Stuff No One Told Me”, What plans do you have?


Well, I see clearly two possibilities. One, just making the comic for a year or so and then publish a hardcover book with the best cartoons. And two, changing the tone of the comic to something more satirical little by little and keep it a ”window” where I can talk about anything that might be funny or interesting no matter what. I´m pretty sure that if I keep it simply as some sort of ”life advices” it will be boring after a very short time… so, I´m aware that I have to change it. Its a great challenge.

And finally, Where can you get the best coup of tea?


Don’t know, I’m not a tea person and Spain is a coffee country, I drink tons of coffee if that helps!"


Agora? Manu Chao.

O Encontro Marcado (Fernando Sabino)


Acabei de ler O Encontro Marcado de Fernando Sabino. Não quero me estender sobre a obra porque nem sei se conseguiria escrever verdadeiramente sobre ela, mas preciso comentar que gostei muito e que as palavras desse romance escrito em 1956 mexeram comigo.

Esse é o segundo contato que tenho com o autor. O primeiro foi O Menino no Espelho que rapidamente passou a ser um dos meus livros preferidos. Que venham outros mais então!

Pois bem, li em algum lugar que O Encontro Marcado é um típico livro de geração que marca uma época e se encerra nela. Numa conotação que indicava a falta de comunicação profunda com as gerações seguintes. Discordo. De fato, o livro, assim como O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger), por exemplo, registra, marca e reflete uma geração, mas a sua mensagem e as entrelinhas continuam se aplicando nos dias de hoje.

O livro se passa nos anos 40 e conta a história de vida do mineiro Eduardo Marciano. Quando criança, Eduardo, filho único, era extremamente mimado e sabia tirar proveito de sua posição privilegiada. Manipulava os pais e, mesmo que precisasse se machucar fisicamente, utilizava as suas armas a seu favor. Na adolescência foi um jovem boêmio que vivia em companhia de seus amigos, Mauro e Hugo que, assim como ele, aspiravam a serem escritores. Essa necessidade de escrever e de viver como acreditava que deveria o levou a vida adulta no Rio de Janeiro onde continuaria sua eterna busca por si mesmo.

Através da vida de Eduardo, da infância à fase adulta, o leitor acompanha uma geração. Seus costumes e seu cotidiano. Mas, principalmente, segue com Eduardo em busca de um sentido, de uma “resolução”, de paz porque ainda que ele seja capaz de conseguir o que quer e de vencer obstáculos para chegar aonde quer, o seu interior não era calmo, havia sempre uma tempestade que não poderia ser compartilhada porque não poderia ser realmente compreendida por outro que não ele.

Ele sempre teve tudo e sabia poder tudo. Dos amigos era, reconhecidamente, o que apresentava maior potencial, mas estaria sempre em busca de um caminho. Talvez a consciência de se reconhecer um privilegiado fosse um fardo demasiadamente pesado.

Enfim, não sei se consegui ordenar meus pensamentos de uma maneira satisfatória. Acho que não, mas como disse no início, são apenas pensamentos soltos e algumas impressões.


Agora? Beirut.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Minutos de sabedoria


Das páginas que estão sendo lidas:

"Vamos ser lógicos, meu filho, nosso nascimento é fruto de um momento de fraqueza de nossos pais. Vivemos por displicência e morremos por exaustão, cansados de nos agarrarmos a fórmulas de viver para não nos afogarmos."


"Um dia ia abrir a boca na sua roda costumeira no bar da cidade, para dizer uma coisa, viu que não tinha nada a dizer, não chegou a abrir a boca. Vasculhou-se interiormente, não encontrou nada; nem uma ideia, um pensamento aproveitável. Estava vazio, literalmente vazio, nada interessava, nada tinha importância."


Ambos trechos da página 236 de O Encontro Marcado (Fernando Sabino)

Imagem.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Tute




























Conheci o trabalho do cartunista argentino Juan Matías Loiseau, o Tute, há algum tempo e me apixonei pelo que vi. Em especial pelas tirinhas que envolvem esse menino ruivo, Batu, e seu cachorro de estimação, Tutum.

Para os interessados, acessem o site do cartunista.


Agora? Julieta Venegas seguido de El Cuarteto de Nos.

Da perspectiva


Seguia determinadamente sob a forte chuva que atormentava a cidade há algumas horas. Acordara por volta das cinco horas da manhã e, desde então, o céu já se mostrara enegrecido e repleto de nuvens carregadas a ponto de explodir em diversas gotas pesadas.

Tentou voltar a dormir, mas não podia. Levantou e seguiu o curso da vida.

Agora, estava em uma rua estreita com seu guarda-chuva colorido. As gotas caiam fortes e persistentemente. O vento teimava em brincar com o caos e ela já não via sentido em seguir daquela maneira. Desistira de tentar proteger-se do que não podia. Ao invés de continuar naquela estratégia falida, fechou o guarda-chuva e decidiu enfrentar a adversidade de frente, de uma maneira nova.

Sabia que seria inevitável se molhar, mas a maneira como estava seguindo antes também não havia sido diferente. O que mudou foi a perspectiva. E a técnica.

Natali Assunção.

Agora? A trilha sonora de Crazy Heart.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Infância em quadrinhos






























Conheci Otto e Heitor hoje. O autor das tirinhas se chama Tiago Valadão e, de acordo com o site, essa produção é fruto das vivências do próprio Tiago durante a sua infância ao lado do seu irmão caçula.

Fica a dica.

Agora? Darren Hayes.

domingo, 11 de julho de 2010

Fazer da procura um encontro


Agora? Pink Floyd.

Filme de hoje: Mary e Max.

Lendo O Encontro Marcado (Fernando Sabino). De lá:

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro." (pág. 161)

Foto: Nicolau Domingues.

sábado, 10 de julho de 2010

Nada nem ninguém


"A dor são poros por onde transpira a escrita. Tudo sobra em mim e, ao mesmo tempo, não há nada em mim. Nem ninguém. Eu sofro de nada e de ninguém."

Frase retirada de um dos filmes vistos hoje, Nome Próprio.

Agora? Rihanna/ Pussycat Dolls.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Da saudade que dói



"Não sei bem o quanto de você eu guardei, mas gosto de pensar que sobrou, sim, alguma coisa."

Trecho retirado do post Das cartas que nunca serão enviadas do Congimentos.

Agora? Norah Jones.

Imagem da ilustradora Maria Eugênia.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Apenas divagações


Engraçado como você sai de casa em uma manhã qualquer acreditando que fará tais coisas e encontrará tais pessoas, mas, no entanto, cada dia se apresenta como uma surpresa e qualquer coisa pode acontecer.

Acho que a gente esquece disso com frequência. Ou então que não pensamos muito a respeito.

Hoje, por exemplo, durante a visita à uma possível locação para um documentário do qual estou participando na produção, acabei entrando em uma igreja e vendo a construção de uma maneira nova e também sob novos ângulos.

Foi a Igreja de Santo Antônio que fica próxima à Praça Sete de Setembro (também conhecida como a Praça do Diário). De acordo com um funcionário da igreja, a obra está erguida há 257 anos.

O fato é que consegui visitar a parte de dentro do local e também as suas passagens e desdobramentos. Vi como é a estrutura localizada atrás do altar, antigos confessionários (que eu soube hoje, não são mais utilizados. Agora, padre e cristão estão frente a frente sem aquela estrutura entre eles no momento da confissão), pude olhar a rua pelas janelas do primeiro andar, ver as escadas que levam ao sino (esse, infelizmente, não pude ver) entre outras coisas.

A estética barroca utilizada aqui me parece um tanto assustadora ao invés de convidativa, mas foi muito interessante e verdadeiramente bonito. O diretor do documentário, que estava comigo no momento, até lembrou da semelhança da estrutura que fica por trás do que os fiéis vêem e os bastidores de um teatro e me pareceu um tanto semelhante mesmo. Pensei no padre se preparando para uma missa e também nos atores que fazem o mesmo antes de uma peça.

Enfim, apenas divagações sobre um momento inesperado.

Agora? Regina Spektor.

Imagem.

Dia dos namorados?


Estive lendo o blog de Marcelo Rubens Paiva (autor de Feliz Ano Velho - fica a dica) e vi alguns textos antigos. Entre eles esse Dia dos namorados? Sei que a data comemorativa já passou, mas gostei muito e acredito que se aplique a qualquer dia, por isso segue aqui também:

"Dia dos namorados?

Nunca entendi o Dia dos Namorados.
Casados comemoram?
Amantes?
E ficantes?
Almoça-se com um ou uma ex?
E solteiros choram a falta de um ou uma namorada ou comemoram?
Arrumam 1 neste 12 de Junho?
Se agora a maioria FICA, como agendar e com quem jantar num restaurantezinho charmoso?
Sou um romântico [ou um demagogo].
Disse outro dia, para a MTV, que me pegou se surpresa no canto do CLUB BERLIM:
“Todo dia é dia dos namorados…”
Meus amigos atrás das câmeras riram, me chamaram de canalha.
Mas não è?
O que vejo é que menos e menos pessoas namoram.
Mais e mais priorizam uma rotina sem controle e compromissos, 100% livre.
Liberdade, o que é isso?
Livre de cenas de ciúmes, livre para viver um hedonismo excitante, livre para dominar os sentimentos.
Livre para evitar sofrimentos.
O FICAR foi uma inteligente criação adolescente, que contamina.
A vida já é dura demais para se enroscar no imponderável.
Triste [ou não], vivemos no EU eterno.
EU em primeiro lugar.
EU sem repartir.
EU, MEU, MINHA, MEUS.
EU = EGO.
Haverá o Dia do Eu?
Ou todo dia é dia dele?"

Agora? Emiliana Torrini. Sim, diariamente porque a vida fica muito mais leve com essa voz e essas melodias.

Imagem.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Adote um Hitchcock


O Instituto Britânico de Cinema lançou a campanha Adote um Hitchcock a fim de restaurar nove filmes do consagrado diretor.

A matéria saiu hoje no UOL Cinema:

"LONDRES, Reino Unido - O Instituto Britânico de Cinema (BFI, na sigla em inglês) convocou a população a adotar um filme de Alfred Hitchcock numa tentativa de arrecadar um milhão de libras (1,5 milhão de dólares) necessárias para restaurar nove obras do mestre. Uma contribuição de 5 mil libras, por meio do site da instituição, renderá ao doador um crédito na telona, enquanto 100 mil libras são suficientes para restaurar um filme inteiro.

Doações menores também são bem-vindas: 25 libras são o bastante para restaurar 50 centímetros de filme. De acordo com o BFI, os primeiros filmes mudos de Hitchcock precisam de atenção urgente e são uma parte crucial da história cultural britânica. A lista de nove filmes do instituto inclui "O Pensionista", aclamado como obra-prima no seu lançamento em 1926.

O diretor britânico, que morreu há 30 anos, é mais conhecido pelos thrillers de Hollywood, como "Psicose" e "Um Corpo que Cai". Ele foi indicado cinco vezes para o Oscar de melhor diretor, mas nunca venceu o prêmio. Com as técnicas digitais, os negativos originais danificados poderão ser restaurados de forma significativa.

O BFI também promove uma busca nacional por 75 filmes faltantes e fez uma lista dos filmes "mais procurados". No topo, está "The Mountain Eagle", de 1926. Esse foi um dos primeiros filmes dirigidos pelo cineasta e o único que se perdeu entre os mais de 50 longas dirigidos por ele. "The Mountain Eagle", algo como o "santo graal" para os fanáticos por Hitchcock, se passa no Kentucky e conta a história de uma jovem professora chamada Beatrice que é forçada a deixar o vilarejo onde vive."

Fica a dica!

Ainda escutando Juanes.

Um sábado qualquer



Um sábado qualquer.

Agora? Juanes.

Do que não sabia


Nunca soube falar de amor, mas sabia sentir. Qual foi a sua surpresa ao descobrir que todo aquele sofrimento cinematográfico poderia ser real? Como se estivesse sendo machucada fisicamente, como se uma força maior que a sua fosse capaz de faze-la se envergar e ceder às lagrimas e à dor sem nome e sem destino.

Sentia.

Sim, agora sentia, mas suas mãos estavam atadas, nada poderia fazer.

Natali Assunção.

Agora? Emiliana Torrini. Definitivamente viciada no álbum Me And Armini.

Como uma pessoa em sã consciência resolve fazer três cursos em uma mesma semana mesmo sabendo que vai perder alguma coisa de cada um deles? Ai, ai, não tem jeito.

PS) Filmes em baixa essa semana e, na verdade, sem muita paciência para escrever sobre eles no momento (vai ver é a falta de tempo, mas os cursos acabam essa semana!).

Tentando ler um livro sobre cinema, mas no ritmo que estou indo não sei se chego ao fim.

Ainda Emiliana. Adoro!

Imagem.

PS) Gosto de tentar criar histórias para algumas imagens ou palavras. Sugestões? Manda para mim: natali_assuncao@yahoo.com.br

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Recordar-se de sonhar


Outra história feliz encontrada nas buscas realizadas no curso de espanhol. Com texto de Lola Ribalta e ilustrações de David López Retamero, La Maquina del sueño apresenta Carmelo, uma criança que esqueceu como dormir. As horas passam, mas ele não consegue dormir simplesmente porque não se lembra como. Com o tempo decide construir uma máquina do sonho através da qual, acredita, será capaz de dormir novamente.

O texto é simples e inusitado. O jovem Carmelo não sabe o que o levou a não encontrar o sono e, por mais que se sinta cansado, a necessidade de construir a máquina que o ajudará se mostra mais interessante do que passar horas contando carneirinhos.

Carmelo é muito criativo e cheio de ideias. Sua imaginação é extremamente fértil, assim como a imaginação tem mesmo que ser.

A história é apresentada por Vigilia y Olvido, um peixe e um morcego que se perguntam sobre o que acontecem aqueles que têm insônia.

As ilustrações são compostas através do preto e branco com algumas tonalidades de cinza, além do jogo de sombras e sombreamento e se mostram como uma espécie de realidade pessoal, como o mundo particular do protagonista.

O estilo lembra muito o maravilhoso curta metragem de Tim Burton, Vincent, apesar de não atingir a plenitude do filme. Em uma linha de jovem imaginativo que vive uma fantasia pessoal como a realidade e retrata essa realidade de maneira particular. Além das semelhanças visuais e estéticas.

Agora? Carla Bruni.

domingo, 4 de julho de 2010

De um domingo



Agora? Essa aí:

Dois (Tiê)

Como dois estranhos,
cada um na sua estrada,
nos deparamos, numa esquina,
num lugar comum.

E aí? Quais são seus planos?
Eu até que tenho vários.
Se me acompanhar,
no caminho eu posso te contar.

E mesmo assim, eu queria te perguntar,
se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar,
se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?

E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
e você vai me ensinar as suas verdades
e se pensar, a gente já queria tudo isso desde o
inicio.

De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.

E mesmo assim, queria te contar,
que eu talvez tenho aqui comigo, eu tenho alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.

E mesmo assim, queria te contar,
que eu tenho aqui comigo alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.

sábado, 3 de julho de 2010

Papel e água


Tinha tudo nas mãos e, ao mesmo tempo, não tinha nada. Seus dias se mantinham como uma mescla inesgotável de felicidade rasa e melancolia intensa.
Ainda sorria, mas não completamente.
Esquecia-se por alguns instantes até que voltava a pensar e a sofrer.
Era como um barco à deriva, sem forças contra o poder do mar.

Natali Assunção.

Agora? Vinicius de Moraes.

Imagem.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Do crescer



Agora? Sandy.

Imagem.