
A Saga Crepúsculo: Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon)
EUA/ 2009/ 130 min
Direção: Chris Weitz
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Dakota Fanning, Michael Sheen
Antes de mais nada, o enredo: o segundo filme da saga Crepúsculo traz o casal já conhecido pelo público, o vampiro Edward (Robert Pattinson) e a adolescente mortal, Bella (Kristen Stewart), mas dessa vez há um complicador, o descendente indígena, Jacob (Taylor Lautner), amigo da família de Bella e terceira ponta de um possível triângulo amoroso.
Aqui, Bella e Edward já estão juntos, mas ao constatar de maneira mais palpável o perigo que Bella corre se mantendo tão próxima a vampiros, Edward decide se afastar da moça. Essa separação torna a vida da adolescente insuportável e o sofrimento é inevitável. Só com a ajuda do amigo Jacob que ela consegue encarar seus dias solitários. Essa é a linha principal do enredo que aborda ainda a eterna luta entre lobos e vampiros apenas mencionada em
Crepúsculo, além de apresentar os principais líderes dos sanguessugas, os Volturi, vampiros responsáveis pelas leis da raça.
Dito isso, um aviso (ainda que redundante): prepare-se para os gritos de adolescentes enlouquecidas e completamente apaixonadas pelo vampiro purpurinado e/ou pelo lobisomem descamisado. Na minha sessão, por exemplo, a garota ao meu lado me avisou, ainda durante os trailers, “olha, eu vou gritar. E a minha sala toda está aqui e eu sei que todo mundo vai gritar”. Contentei-me em perguntar se além de gritos haveria conversa paralela, mas ela garantiu que não. Pude conviver com isso.
Tecnicamente
Lua Nova se apresenta muito superior ao seu antecessor. Os efeitos especiais estão mais bem acabados, embora ainda não sejam o foco da atenção –ponto positivo. O tratamento do longa também está melhor. Em compensação, a maquiagem (aspecto primordial em se tratando de um filme sobre vampiros) está melhor, mas ainda deixa a desejar.
Em relação a adaptação para a telona
Lua Nova tembém é feliz. Pouca coisa fica de fora e o filme consegue ser muito mais dinâmico e interessante do que a segunda parte da história escrita. O problema é que no livro nada acontece durante muito, muito tempo. O leitor precisa ser forte para passar por tantas páginas de sofrimento amoroso, falta de reação e reclamações sobre “um buraco” deixado pela partida do amado... No filme isso está lá, mas de maneira um pouco mais dinâmica – amém!
Embora haja essa capacidade de dinamizar tudo, o roteiro não está livre de frases e declarações de amor extremamente piegas. Uma pena, mas é um aspecto que certamente agrada às fãs que soltam suspiros e gritinhos a cada 'você é a razão da minha vida' blábláblá.
O que mais me chama atenção no fenômeno crepúsculo são os valores difundidos pela sua criadora, Stephenie Meyer. Mas o mais intrigante é, de fato, a apresentação de protagonistas incapazes de reagir. São personagens que se amam, almas gêmeas – até aí tudo bem – mas que não conseguem
ser sem o outro. Uma vez que se encontraram só podem viver juntos. Em especial Bella que simplesmente se entrega quando é deixada e não tem capacidade de agir ou mesmo pensar por si só. Parece-me incrível que uma personagem assim possa influenciar toda uma geração. Vamos torcer para que as jovens seguidoras da saga consigam analisar esses conceitos e ir além disso.
Apesar de algumas ressalvas
Lua Nova é bom dentro da sua proposta. Já é superior ao primeiro – e deve continuar melhorando a casa etapa – é uma boa adaptação, além de ser competente dentro de sua proposta. Mas convenhamos que para a legião de fãs as tais ressalvas não são importantes, não é?
A estréia de
Eclipse, terceira parte da saga está prevista para junho de 2010 e os rumores indicam que
Amanhecer, capítulo final da trama, deve seguir a mesma linha do último
Harry Potter e ser dividido em duas partes.