quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tempo Cinza


Dias chuvosos esses. Tempo cinza e carregado de nuvens. O sol brilha fraquinho por entre finas frestas de fofas nuvens pesadas. É difícil enxergar os fracos fiapos dourados, mas a certeza de que eles estão lá é que guia as horas.
Talvez você precise apurar seus olhos e buscar o brilho e, quer saber? O sol aparece.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mais um de saudade


Lindas palavras as de Silvana. Compartilho-as:

"Mãe.

Frito os bolinhos de chuva na panela. Depois mergulho um a um no mar de açúcar e canela. É doce a saudade que eu sinto dela."

(Silvana Tavano - www.diariosdabicicleta.blogspot.com)

Hoje? Abraços Partidos no cinema.

No fim de semana? A animação Por Água Abaixo. Fica a dica.

Agora? Gipsy Kings (músicas indicadas).

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Corrida pelo Enem


Pois então você pensa que só acontece em filmes, mas não. Na vida real também é assim. Depois de vestibular e Enem valendo e tudo o mais resolvi repetir a dose mesmo assim. Sabe como é: uma pessoa recém formada precisa tentar/agarrar-se às oportunidades/criar oportunidades/fazer o que o desespero manda/testar-se coisa e tal.
Então ta. Resolvi fazer o ENEM. Primeiro o gabarito vaza e tudo o mais... mesmo assim
as provas aconteceram nesse fim de semana – as elaboradas após a fraude, logicamente. Ponto um: fui parar em um fim de mundo lá do outro lado do Universo – literalmente! Mas tudo bem, até aí tudo bem.
O problema não está no fato de ter sido mandada fazer a prova em uma total contramão para mim – assim como a maioria das pessoas que conheço – mesmo havendo aquela coisa de preencher lugares de preferência coisa e tal. Não, o problema não foi esse. Nem o fato de a prova ser realmente cansativa. O que foi intensificado pelo calor desumano e a falta de qualquer condição básica para realizá-la. Horas e horas em uma cadeira desconfortável (ainda acho pouco utilizar essa palavra, mas é a única na minha mente por enquanto) e, bom, já mencionei o calor? Sério, posso tentar descrever por horas, você jamais entenderá.
Tudo isso não personifica o meu problema porque todos esses detalhes fazem parte. O negócio é que depois de um vestibular por experiência e um valendo eu nunca tinha passado por isso – nunca. Saí de casa no horário certo. Faltando bastante tempo, calma e serelepe pensando no cineminha após o primeiro dia de prova. Parte um: mais de uma hora. Eu disse mais de uma hora – na verdade quase uma hora e meia – esperando pelo ônibus.
Parecia impossível, mas depois de tanto tempo esperando o meu transporte público apareceu. Até aí tudo bem também, não é? Sigo o meu caminho com diversas pessoas ansiosas no mesmo veículo. Depois de um tempo o transito começa a ficar mais intenso e as pessoas a ficarem mais desesperadas. Como que por um milagre o cobrador era um ser extremamente gentil e prestativo – do tipo que não se encontra mais com tanta facilidade. Conversava com todos e tentava acalmá-los, além de determinar as melhores rotas para cada fera desesperado – eu ainda calma. Ele dizia: “no ponto tal você desce e pega o moto-táxi” ou “não se preocupe, dá tempo. Já está perto de onde você vai ficar”. Coisas assim.
O negócio é que o trânsito foi piorando cada vez mais e eu, embora não fosse uma fera como os demais, comecei a me desesperar. Afinal eu paguei pela prova, portanto tinha que fazê-la. O cobrador, vulgo santo, também resolveu me ajudar. Meu namorado, vulgo santo, estava ao meu lado até então disposto a enfrentar tudo aquilo – calor, demora do ônibus, desespero das pessoas, engarrafamento... – mesmo não tendo que fazer prova nenhuma naquele dia.
O cobrador então fala conosco e diz que tudo bem, dá-se um jeito. O transito praticamente para. Ele vira e diz: “vamos ter que parar um táxi para vocês”. Você pensa ‘ok, eles descem do ônibus e procuram desesperadamente por um táxi’. Mas não, o cobrador desce e para um táxi para nós dois! Sim, ele para o táxi! Isso é que é um anjo divino, não é? Vou descendo e ainda chamo uma menina que iria ficar perto da escola para onde eu iria. Ela hesita, mas vem correndo em seguida. Entramos os três no carro: eu, a menina desesperada e meu namorado que, repito, não tinha porcaria de prova nenhuma e poderia muito bem estar pegando uma prainha – isso é que é uma pessoa ótima!
Menos de cinco minutos depois o carro praticamente não se move. O taxista olha para trás e diz “Acho melhor vocês irem andando”. Eu pego o dinheiro e me preparo para descer. Alguém bate no vidro da janela direita. O cobrador! O cobrador veio do ônibus até o táxi parado para gritar “corre, vai andando que é mais rápido, já está perto!”. Ok, ele é uma pessoa à parte, eu sei!
Saímos os três desnorteados – eu, a menina que eu não vi mais e o meu namorado. Olho para um lado sem saber para onde eu vou. E alguém grita “corre, é em frente!” E eu saio correndo desesperadamente como se a minha vida dependesse daquilo. Fui como se fosse uma atleta experiente em busca de mais um título para ornamentar a estante.
De repente estão diversas pessoas gritando em coro pela rua: “Vai! É isso aí!”. “Dá tempo, dá tempo. Corre que você consegue!”. Entro em uma praça estranha sem saber para onde seguir e alguém grita “À esquerda, vaaaaai!!!!!!” E sigo louca pelas ruas desesperadamente até encontrar o tal colégio.
Cheguei. Consegui. Deu tudo certo. Mas que corrida!


"Run Forrest, run!"

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon)


A Saga Crepúsculo: Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon)
EUA/ 2009/ 130 min
Direção: Chris Weitz
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Dakota Fanning, Michael Sheen

Antes de mais nada, o enredo: o segundo filme da saga Crepúsculo traz o casal já conhecido pelo público, o vampiro Edward (Robert Pattinson) e a adolescente mortal, Bella (Kristen Stewart), mas dessa vez há um complicador, o descendente indígena, Jacob (Taylor Lautner), amigo da família de Bella e terceira ponta de um possível triângulo amoroso.
Aqui, Bella e Edward já estão juntos, mas ao constatar de maneira mais palpável o perigo que Bella corre se mantendo tão próxima a vampiros, Edward decide se afastar da moça. Essa separação torna a vida da adolescente insuportável e o sofrimento é inevitável. Só com a ajuda do amigo Jacob que ela consegue encarar seus dias solitários. Essa é a linha principal do enredo que aborda ainda a eterna luta entre lobos e vampiros apenas mencionada em Crepúsculo, além de apresentar os principais líderes dos sanguessugas, os Volturi, vampiros responsáveis pelas leis da raça.
Dito isso, um aviso (ainda que redundante): prepare-se para os gritos de adolescentes enlouquecidas e completamente apaixonadas pelo vampiro purpurinado e/ou pelo lobisomem descamisado. Na minha sessão, por exemplo, a garota ao meu lado me avisou, ainda durante os trailers, “olha, eu vou gritar. E a minha sala toda está aqui e eu sei que todo mundo vai gritar”. Contentei-me em perguntar se além de gritos haveria conversa paralela, mas ela garantiu que não. Pude conviver com isso.
Tecnicamente Lua Nova se apresenta muito superior ao seu antecessor. Os efeitos especiais estão mais bem acabados, embora ainda não sejam o foco da atenção –ponto positivo. O tratamento do longa também está melhor. Em compensação, a maquiagem (aspecto primordial em se tratando de um filme sobre vampiros) está melhor, mas ainda deixa a desejar.
Em relação a adaptação para a telona Lua Nova tembém é feliz. Pouca coisa fica de fora e o filme consegue ser muito mais dinâmico e interessante do que a segunda parte da história escrita. O problema é que no livro nada acontece durante muito, muito tempo. O leitor precisa ser forte para passar por tantas páginas de sofrimento amoroso, falta de reação e reclamações sobre “um buraco” deixado pela partida do amado... No filme isso está lá, mas de maneira um pouco mais dinâmica – amém!
Embora haja essa capacidade de dinamizar tudo, o roteiro não está livre de frases e declarações de amor extremamente piegas. Uma pena, mas é um aspecto que certamente agrada às fãs que soltam suspiros e gritinhos a cada 'você é a razão da minha vida' blábláblá.
O que mais me chama atenção no fenômeno crepúsculo são os valores difundidos pela sua criadora, Stephenie Meyer. Mas o mais intrigante é, de fato, a apresentação de protagonistas incapazes de reagir. São personagens que se amam, almas gêmeas – até aí tudo bem – mas que não conseguem ser sem o outro. Uma vez que se encontraram só podem viver juntos. Em especial Bella que simplesmente se entrega quando é deixada e não tem capacidade de agir ou mesmo pensar por si só. Parece-me incrível que uma personagem assim possa influenciar toda uma geração. Vamos torcer para que as jovens seguidoras da saga consigam analisar esses conceitos e ir além disso.
Apesar de algumas ressalvas Lua Nova é bom dentro da sua proposta. Já é superior ao primeiro – e deve continuar melhorando a casa etapa – é uma boa adaptação, além de ser competente dentro de sua proposta. Mas convenhamos que para a legião de fãs as tais ressalvas não são importantes, não é?

A estréia de Eclipse, terceira parte da saga está prevista para junho de 2010 e os rumores indicam que Amanhecer, capítulo final da trama, deve seguir a mesma linha do último Harry Potter e ser dividido em duas partes.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Do que é melhor


"Melhor não ser apreciado, mas ser bom. Melhor tentar crescer e falhar de maneira humilhante do que jogar no que é certo ou, pior, fazer troca de favores."

(Woody Allen em entrevista concedida em junho de 1974 a Eric Lax. Página 105 de Conversas com Woody Allen)

Agora? Dave Mathews Band.

Filme de hoje? Feira de Vaidades. Destaque especial para a direção de arte e as cores do longa. Fica a dica.

Completamente envolvida na leitura de Conversas com Woody Allen.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Festival de Vídeo - Feito Algodão Doce


O curta metragem de ficção, Feito Algodão Doce, acaba de participar nesta quarta-feira, do seu nono festival. O filme concorre na categoria universitária do Festival de Vídeos de Pernambuco que está em sua 11ª edição.

Fica a dica: http://www.youtube.com/watch?v=vPD4BYxFo6I

Sinopse: Feito Algodão Doce foi um projeto de conclusão do curso de Radialismo e TV da Universidade Federal de Pernambuco e conta a história de Ana Maria, uma garotinha cujo maior sonho é tocar em uma nuvem. O curta utiliza live action (com atores) e animação.

Agora? Dave Mathews Band.





terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Das Atitudes (Vida Besta)



Imagem: www.vidabesta.com

Hoje? Julie e Julia no cinema.

Viciada na trilha sonora do filme Once (indico!).

Órfã de Will and Grace após o término da terceira temporada. Sério, preciso conseguir a quarta logo.

* Tantas idéias, sentimentos e pensamentos ao mesmo tempo. Vontade de escrever, mas por hoje fico por aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Planeta 51 (Planet 51)


Planeta 51 (Planet 51)
Espanha/ Reino Unido/ EUA/ 2009/ 91 min
Direção: Jorge Blanco, Javier Abad e Marcos Martínez
Roteiro: Joe Stillman
Elenco: Dwayne Johnson, Seann William Scott, Jessica Biel

Engraçado como ninguém havia pensado nisso antes. Todos os filmes sobre alienígenas são sempre sob a perspectiva humana, mas e se nós invertêssemos os papéis e o homem fosse o estranho em um planeta diferente? No que essa história daria?
Essa é a pergunta que Joe Stillman, roteirista de Shrek 1 e 2, tenta responder em em Planeta 51. Chuck, um astronauta americano em uma missão de rotina, cai no planeta do título e descobre uma nova civilização por lá. É nesse contexto que a situação se inverte, mas mesmo com essa inversão a história não consegue mudar ou mesmo inovar tanto assim. O extraterrestre agora é o homem, mas os acontecimentos, o enredo e a estrutura narrativa do longa é igual a qualquer outro do estilo.
O mais interessante é que o Planeta 51 poderia ser uma réplica da própria Terra dos anos 50: a música, os carros, a moda, a estrutura familiar, tudo. É como se o astronauta tivesse voltado no tempo e não apenas encontrado um novo planeta.
As piadas são engraçadas e há muita referência a filmes famosos como Cantando na Chuva e Alien, por exemplo, mas a “sacada” não vai muito além disso: personagens cativantes, algumas boas piadas e muitas referências.
Em compensação, a estética já é outra história: a animação realizada pelo estúdio espanhol Ilion Animations Studios impressiona pela qualidade do trabalho. O design, os personagens, a direção de arte e tudo referente ao planeta é muito bem pensado e bem realizado. Cada detalhe mostra a preocupação dos realizados em apresentar um mundo plausível e bem arquitetado. De muito bom gosto.
Um filme divertido com uma animação de alta qualidade com uma ótima premissa, mas que deixa a desejar em relação ao roteiro.

domingo, 29 de novembro de 2009

A Fantástica Fábrica de Chocolate (Roald Dahl)


Embora ame o filme A Fantástica Fábrica de Cocolates (o de 1971 e não o de Tim Burton) e tenha adorado a animação James e o Pêssego Gigante (já comentada por aqui), ambos baseados em obras de Roald Dahl, eu nunca havia lido nada de sua vasta obra literária.
Resolvi mudar essa situação e começar pelo livro que originou um dos filmes da minha vida: A Fantástica Fábrica de Chocolate, escrito em 1964. Maravilhoso! Mal posso esperar para colocar minhas mãos em mais e mais livros do autor.
A história é a velha conhecida: Charlie, um garotinho simples e pobre, ama chocolates e, em especial, a fábrica Wonka que fica próxima à sua casa, mas sua situação financeira só permite que ele coma uma barra por ano no dia do seu aniversário. Ele, o pai, a mãe e os quatro avós moram em uma casinha minúscula e mal têm o que comer.
Depois de anos sem se mostrar publicamente, Willie Wonka, dono da fábrica Wonka, promove um concurso: cinco cupons dourados estão escondidos em chocolates que podem estar em qualquer parte do mundo! As cinco crianças que encontrarem esses cupons terão o privilégio de conhecer a fantástica fábrica.
É nesse contexto que Roald Dahl cria uma fábula belíssima com muito humor, moral e criatividade. Através das 159 páginas o leitor aprende sobre bons modos, sonhos, força de vontade e bondade de maneira leve e encantadora com direito a ironia e sarcasmo. Os personagens são fascinantes e a obra, embora infantil, carrega um quê de denso, de dark. Indico!

Para os interessados, o site oficial do escritor (www.roalddahl.com) tem muita coisa boa: bibliografia, jogos, entrevista, biografia e novidades sobre as obras e suas adaptações. Fica a dica!

Da edição que tenho em mãos:

* Roald Dahl nasceu no País de Gales, filho de pais noroegueses. Passou a infância na Inglaterra e, aos 18 anos, foi para a África como empregado da companhia de petróleo Shell. Participou da Segunda Guerra Mundial como piloto da Real Força Aérea da Inglaterra. Começou a escrever quando era adido da embaixada inglesa em Washington. Seus livros para adultos e crianças são hoje traduzidos e apreciados no mundo todo.

Vale ressaltar também que as ilustrações dessa edição são assinadas pela paulista Cláudia Stacamacchia.

Agora? Dave Mathews Band.