quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Encontro Marcado (Fernando Sabino)


Acabei de ler O Encontro Marcado de Fernando Sabino. Não quero me estender sobre a obra porque nem sei se conseguiria escrever verdadeiramente sobre ela, mas preciso comentar que gostei muito e que as palavras desse romance escrito em 1956 mexeram comigo.

Esse é o segundo contato que tenho com o autor. O primeiro foi O Menino no Espelho que rapidamente passou a ser um dos meus livros preferidos. Que venham outros mais então!

Pois bem, li em algum lugar que O Encontro Marcado é um típico livro de geração que marca uma época e se encerra nela. Numa conotação que indicava a falta de comunicação profunda com as gerações seguintes. Discordo. De fato, o livro, assim como O Apanhador no Campo de Centeio (J.D. Salinger), por exemplo, registra, marca e reflete uma geração, mas a sua mensagem e as entrelinhas continuam se aplicando nos dias de hoje.

O livro se passa nos anos 40 e conta a história de vida do mineiro Eduardo Marciano. Quando criança, Eduardo, filho único, era extremamente mimado e sabia tirar proveito de sua posição privilegiada. Manipulava os pais e, mesmo que precisasse se machucar fisicamente, utilizava as suas armas a seu favor. Na adolescência foi um jovem boêmio que vivia em companhia de seus amigos, Mauro e Hugo que, assim como ele, aspiravam a serem escritores. Essa necessidade de escrever e de viver como acreditava que deveria o levou a vida adulta no Rio de Janeiro onde continuaria sua eterna busca por si mesmo.

Através da vida de Eduardo, da infância à fase adulta, o leitor acompanha uma geração. Seus costumes e seu cotidiano. Mas, principalmente, segue com Eduardo em busca de um sentido, de uma “resolução”, de paz porque ainda que ele seja capaz de conseguir o que quer e de vencer obstáculos para chegar aonde quer, o seu interior não era calmo, havia sempre uma tempestade que não poderia ser compartilhada porque não poderia ser realmente compreendida por outro que não ele.

Ele sempre teve tudo e sabia poder tudo. Dos amigos era, reconhecidamente, o que apresentava maior potencial, mas estaria sempre em busca de um caminho. Talvez a consciência de se reconhecer um privilegiado fosse um fardo demasiadamente pesado.

Enfim, não sei se consegui ordenar meus pensamentos de uma maneira satisfatória. Acho que não, mas como disse no início, são apenas pensamentos soltos e algumas impressões.


Agora? Beirut.

2 comentários:

Poupée Amélie™ disse...

Hum... deu vontade de ler.

Gostei!

;)

Mariza disse...

Realmente da vontade de ler!