quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Três em um

Comer Rezar Amar, um ano em busca de si mesma



A verdade é que eu normalmente não gosto muito de livros femininos (aqueles romances de capas cor de rosa e brilho). Gosto menos ainda de auto ajuda. Mesmo em se tratando de auto ajuda velada, aquela que finge ser outra coisa, mas que, na verdade, é auto ajuda mesmo.

Ainda assim não me recuso a lê-los de vez em quando. Com os primeiros mantenho uma relação ambígua. Sempre tenho muitas ressalvas, mas consigo me divertir. Já os de auto ajuda são menos constantes, mas eventualmente gosto de algum.

Diante disso a minha expectativa em relação ao tão falado Comer, rezar, amar (Elizabeth Gilbert) não era das melhores. Especialmente após assistir ao fiasco que foi a adaptação da obra para as telas do cinema.

Esse ano, no entanto, ganhei o livro de presente de aniversário. Entrou na fila e eis que agora finalmente o concluí. E qual foi a minha surpresa ao perceber que, sim, eu gostei (!).

A história, como bem se divulgou no decorrer do seu sucesso de mais de quatro milhões vendas, é um relato da jornalista e escritora Liz Gilbert que, após um divórcio difícil e alguns anos de sofrimento, decide mudar essa situação através de uma viagem de um ano.

Ela decide visitar a Itália, a Índia e a Indonésia em busca do prazer, da devoção e do equilíbrio. A ideia é entrar em contato consigo mesma para que possa se redescobrir e também se reerguer após tanto tempo sendo consumida pela própria tristeza.

A obra é dividida nas três partes que dão título ao livro, comer (Itália), rezar (Índia) e amar (Indonésia).

No fim das contas se trata de um livro bastante feminino, com doses de auto ajuda e pitadas de guia de viagem. Mas a verdade é que isso não diminui a obra porque ela consegue se destacar ao ser bem estruturada com consistência e desenvoltura. Talvez devido ao fato de a autora ser uma jornalista ela consiga permear o enredo com informações relevantes sobre os lugares que visita, além de explorar informações sobre as práticas religiosas que realiza.

A linguagem é objetiva e informativa, além de envolvente. Há algum tempo assisti a uma entrevista com a autora na qual um jornalista a questionava sobre o seu processo de escrita. Sua resposta foi simples. Ela disse que mantinha uma pessoa querida em mente e escrevia como se o livro fosse apenas para essa pessoa. E, quer saber? A sensação é exatamente essa: um relato para um (a) amigo (a) íntimo (a).

Como os problemas relatados pela escritora são familiares a muitas pessoas ao redor do mundo (tristeza, depressão, necessidade de se definir e de estabelecer um melhor estilo de vida, amor, felicidade...), é fácil se identificar com pelo menos uma parte da sua aventura pessoal.

Claro que eu preciso fazer uma confissão aqui. A verdade é que eu me identifiquei com alguns aspectos do livro. Não com as motivações em si, mas sim com a necessidade da busca. Pronto, falei!

Será que estou me rendendo ao estilo? Não sei, mas já topo ler outros títulos da autora.

Agora? U2.

2 comentários:

Caio Viana disse...

Gostei da maneira como você escreve. É muito mais prático para todo tipo de leitor, compreender o que você quer passar.

Fiquei muito à vontade. ;)

Jana disse...

Commited é o segundo livro da msm autora e mostra o que mudou no ponto de vista dela sobre a instituição do casamento agora que ela está como o titulo msm se refere, Comprometida!

bjo miga

Janaa