domingo, 27 de fevereiro de 2011

Alguns copos de leite


Mais daquelas páginas:

"E, apesar de toda dor que nosso relacionamento nos causava, da estranheza que havia entre nós, de tudo que não foi dito e, se dito, acabava mal compreendido por ambas as partes, sinto falta dele, dos telefonemas que dávamos de madrugada, os dois insones, para falar sobre a vida." (Fal Azevedo - Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite - Pág. 65)




"Porque ele me ensinou a andar de bicicleta. Porque ele sabia como me magoar. Porque ele cantava no banho. Porque eu subia nos móveis e gritava "Madeeeeeiraaaa!" e ele corria para me apanhar. Porque ele nos contava as historinhas do Bingo. Não, Pingo. Bingo. Pingo. Ai, decide como é o nome do indiozinho, Pai. Porque ele nos ensinava astronomia também, com lanternas e laranjas. Porque ele passava o tempo todo fazendo média para a arquibancada, e só eu sacava. E durante muito tempo, tive que pagar o preço do seu teatro, e isso não é justo. Porque seus carros tinham nomes engraçados como "Roberta Close", "Juvenal Alfafa", "Viatura". Porque a vida sem ele é tão ruim que muitos dias eu não consigo nem sair da cama." (Fal Azevedo - Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite - Pág. 66)

Fotos tiradas por mim, Père-Lachaise.

Agora? Seu Jorge.

3 comentários:

Diu Mota disse...

Adoro as explosões desses seus " ...e agora?"

É se conformar...e viver em paz!

abraço forte!

Papagaio Mudo disse...

Oi,

Fostes ao túmulo de James Douglas Morisson, vulgo, Jim Morisson? Ao preferistes "passar longe"?
Abraços,

Gustavo

Caleidoscópio disse...

Oi Gustavo! Passei no túmulo dele sim. Tirei algumas fotos, depois posto por aqui.

=)