quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Dúvida (Doubt)


Dúvida (Doubt)
EUA/ 2008/ 104 min
Roteiro e direção: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis, Joseph Foster, Lloyd Clay Brown

Desde o lançamento desse filme estive muito interessada em assisti-lo. Essa semana finalmente consegui.
Um elenco como esse se destaca e, por vezes, “desvia” a atenção do espectador que, volta e meia, se pega vidrado na dinâmica da atuação entre monstros consagrados como Meryl Streep (O Diabo Veste Prada) e Philip Seymour Hoffman (Capote) que sempre impressionam com o seu desempenho primoroso. É até redundante falar sobre isso, mas também inevitável. Outros nomes do elenco são Amy Adams (Encantada) – com quem Streep dividiu a tela mais uma vez em Julie e Julia - e Viola Davis (Syriana). Tendo sido os quatro indicados ao Oscar pelo longa. Melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor atriz coadjuvante e melhor atriz coadjuvante, respectivamente.
Tudo bem que nem sempre o Oscar pode ser realmente “confiável” uma vez que se baseia muito em estilos e temas específicos que condizem com a academia, por exemplo. Além de trabalhar com uma certa politicagem. Mesmo assim é uma premiação que dita, indica e ajuda a consolidar nomes, carreiras e filmes.
Em Dúvida, Meryl Streep é a diretora de uma escola religiosa que mantém a ordem através de uma disciplina extrema conquistada com punhos firmes. Amy Adams é uma professora bondosa e ingênua que ama o seu trabalho e Philip Seymour Hoffman é o padre e superior da paróquia. Ele acredita em mudanças e espera introduzir um pouco de modernidade à escola para, assim, aproximar a instituição das famílias que freqüentam a igreja e que mantém seus filhos no colégio.
O longa se passa na primeira metade dos anos 60 e o presidente Kennedy acaba de ser assassinado. Os ares são de mudança.
A diretora e o padre pensam de maneira diferentes e acreditam que o melhor para a igreja vem em caminhos opostos. Essa situação se intensifica quando surge a dúvida sobre a natureza da relação entre o padre e o único (e primeiro) aluno negro da escola. Será que existe aí um caso de pedofilia?
Essa questão permeia a narrativa que é construída com base em um texto coeso, consistente e bastante inteligente. Além das atuações soberbas, o texto é um dos principais destaques do longa.
Além disso, o visual é belíssimo. As cores frias e a fotografia quase sépia são marcantes e ajudam a estabelecer o tom do filme e também a construir o clima de tensão. Os ângulos, os cenários e a direção de arte são impecáveis.
O único escorrego real da produção são as alegorias excessivas e muito explícitas. Um exemplo disso é a manifestação do tempo (ventos fortes, chuva, tempestades) para expressar o que se passa com um determinado personagem. Desnecessário.
O filme consegue estabelecer os questionamentos que propõe através de uma narrativa fluida que amarra suas pontas, mas que, ainda assim, deixa um único fio de fora para que o espectador tire suas próprias conclusões.
Dúvida trata principalmente de convicções. A ética e a moral nos apontam o certo e o errado, mas, muitas vezes, o apego a conceitos e virtudes pessoais que passam por cima de tudo e todos pode ser fatal. A intolerância pode ser fatal. O que é certo? Ou melhor, quem está certo? Às vezes, os olhos não conseguem enxergar tudo o que há para ser visto. Essas são as verdadeiras questões aqui. O possível caso de pedofilia é apenas o trampolim para a verdadeira discussão.
Toda história tem duas versões. Como saber qual é a verdadeira e em quem se pode confiar?

Agora? Janis Joplin.

Um comentário:

Rebeca Postigo disse...

Sempre que leio suas dicas de filmes me dá uma vontade louca de assisti-los e dessa vez não foi diferente...

Bjs