domingo, 6 de dezembro de 2009

A Corrida pelo Enem


Pois então você pensa que só acontece em filmes, mas não. Na vida real também é assim. Depois de vestibular e Enem valendo e tudo o mais resolvi repetir a dose mesmo assim. Sabe como é: uma pessoa recém formada precisa tentar/agarrar-se às oportunidades/criar oportunidades/fazer o que o desespero manda/testar-se coisa e tal.
Então ta. Resolvi fazer o ENEM. Primeiro o gabarito vaza e tudo o mais... mesmo assim
as provas aconteceram nesse fim de semana – as elaboradas após a fraude, logicamente. Ponto um: fui parar em um fim de mundo lá do outro lado do Universo – literalmente! Mas tudo bem, até aí tudo bem.
O problema não está no fato de ter sido mandada fazer a prova em uma total contramão para mim – assim como a maioria das pessoas que conheço – mesmo havendo aquela coisa de preencher lugares de preferência coisa e tal. Não, o problema não foi esse. Nem o fato de a prova ser realmente cansativa. O que foi intensificado pelo calor desumano e a falta de qualquer condição básica para realizá-la. Horas e horas em uma cadeira desconfortável (ainda acho pouco utilizar essa palavra, mas é a única na minha mente por enquanto) e, bom, já mencionei o calor? Sério, posso tentar descrever por horas, você jamais entenderá.
Tudo isso não personifica o meu problema porque todos esses detalhes fazem parte. O negócio é que depois de um vestibular por experiência e um valendo eu nunca tinha passado por isso – nunca. Saí de casa no horário certo. Faltando bastante tempo, calma e serelepe pensando no cineminha após o primeiro dia de prova. Parte um: mais de uma hora. Eu disse mais de uma hora – na verdade quase uma hora e meia – esperando pelo ônibus.
Parecia impossível, mas depois de tanto tempo esperando o meu transporte público apareceu. Até aí tudo bem também, não é? Sigo o meu caminho com diversas pessoas ansiosas no mesmo veículo. Depois de um tempo o transito começa a ficar mais intenso e as pessoas a ficarem mais desesperadas. Como que por um milagre o cobrador era um ser extremamente gentil e prestativo – do tipo que não se encontra mais com tanta facilidade. Conversava com todos e tentava acalmá-los, além de determinar as melhores rotas para cada fera desesperado – eu ainda calma. Ele dizia: “no ponto tal você desce e pega o moto-táxi” ou “não se preocupe, dá tempo. Já está perto de onde você vai ficar”. Coisas assim.
O negócio é que o trânsito foi piorando cada vez mais e eu, embora não fosse uma fera como os demais, comecei a me desesperar. Afinal eu paguei pela prova, portanto tinha que fazê-la. O cobrador, vulgo santo, também resolveu me ajudar. Meu namorado, vulgo santo, estava ao meu lado até então disposto a enfrentar tudo aquilo – calor, demora do ônibus, desespero das pessoas, engarrafamento... – mesmo não tendo que fazer prova nenhuma naquele dia.
O cobrador então fala conosco e diz que tudo bem, dá-se um jeito. O transito praticamente para. Ele vira e diz: “vamos ter que parar um táxi para vocês”. Você pensa ‘ok, eles descem do ônibus e procuram desesperadamente por um táxi’. Mas não, o cobrador desce e para um táxi para nós dois! Sim, ele para o táxi! Isso é que é um anjo divino, não é? Vou descendo e ainda chamo uma menina que iria ficar perto da escola para onde eu iria. Ela hesita, mas vem correndo em seguida. Entramos os três no carro: eu, a menina desesperada e meu namorado que, repito, não tinha porcaria de prova nenhuma e poderia muito bem estar pegando uma prainha – isso é que é uma pessoa ótima!
Menos de cinco minutos depois o carro praticamente não se move. O taxista olha para trás e diz “Acho melhor vocês irem andando”. Eu pego o dinheiro e me preparo para descer. Alguém bate no vidro da janela direita. O cobrador! O cobrador veio do ônibus até o táxi parado para gritar “corre, vai andando que é mais rápido, já está perto!”. Ok, ele é uma pessoa à parte, eu sei!
Saímos os três desnorteados – eu, a menina que eu não vi mais e o meu namorado. Olho para um lado sem saber para onde eu vou. E alguém grita “corre, é em frente!” E eu saio correndo desesperadamente como se a minha vida dependesse daquilo. Fui como se fosse uma atleta experiente em busca de mais um título para ornamentar a estante.
De repente estão diversas pessoas gritando em coro pela rua: “Vai! É isso aí!”. “Dá tempo, dá tempo. Corre que você consegue!”. Entro em uma praça estranha sem saber para onde seguir e alguém grita “À esquerda, vaaaaai!!!!!!” E sigo louca pelas ruas desesperadamente até encontrar o tal colégio.
Cheguei. Consegui. Deu tudo certo. Mas que corrida!


"Run Forrest, run!"

5 comentários:

Miguel Solano disse...

Bom, isso é um assunto delicado, pois como eu tenho Claustrofobia, eu disse à minha pequenina que eu não ia. Daí então que ela disse "Pô, eu tenho que ir, Guel". Aí eu disse que ela ia.

Além disso, eu odeio Nação Zumbi. Porém, se não fosse minha claustrofobia, eu iria numa boa. Mas combina com a galeguinha, Li.

E quanto ao post, fiquei sabendo da sua aventura em prol do ENEM. Parabéns, Deus lhe recompensará! kkkkkkkkkkkkkk

Beeeeeeeeijo!

Rebeca Postigo disse...

Nossa que aventura!!!
Tudo por uma prova???
Isso que é determinação!!!
Amei a história...
Bjs

Nara disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Morri!!!
Curiosidade, vc chegou faltando quanto tempo p hora da prova?

Natali Assunção disse...

Ah meu bem, menos de cinco minutos. Cheguei morta. E as pessoas: "respira, respira que deu tempo" Kkkkkkkkk
Entrei na sala coisa e tal e menos de 3 minutos depois, provinha! =)

Bru disse...

Natali, hilário teu texto! Muito bom, me estourei de rir aqui no final :D